Uma presença evidente é negada aos olhos.
Uma ausência sensível penetra na interioridade.
A Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo nutre com credibilidade as contradições.
No momento em que se vai embora quem estará connosco todos os dias da nossa vida, o eterno torna-se particular.
Inaugura-se uma intimidade tão abrangente que se reduz ao limitado de um instante.
Um parágrafo, um abraço ou um gelado.
Uma mão, uma memória ou uma chamada.
A vida está povoada de diminutos mistérios,
mas o principal parece continuar a ser quando deixar de respirar.
Esta inquietação pelo posterior só distrai da nossa colaboração com o actual.
“… porque ficais aqui parados, olhando para o céu?”
Há tanto por fazer cá na Terra…!
(… que todo o pouco nos parece insuficiente).
A semente de Reino está cuidadosamente depositada nesta terra.
Não cheira a fruto definitivo porque é só semente.
Por ser semente é que existe e é possível.
Indubitavelmente discreta,
as capacidades de fertilidade escapam a toda a previsão.
A grandeza de existir manifesta-se na pequenez de cada um.
São subtis as contradições que dinamizam o agir…
A confiança plena em que a duvida vai orientando o caminho.
A urgência de amor universal praticada no local.
A insinuação de Pai ao órfão de sentido.
A humildade do Filho recomendada ao excelso ninguém.
A ligação do Espírito como comum companheiro do amável.
Como atrever-se a ensinar, havendo ainda tanto por aprender?
“Puxar para cima” a realidade próxima é missão de gratuidade.
O pobre, o desiludido, o excluído… merecem “um sempre melhor”.
Somos herdeiros de um repto de ascensão.
A vitalidade do testemunho está no pormenor:
“Para Deus, sobe-se descendo”.






