3 de dezembro de 2011

O vento do deserto não interessa a ninguém.

Haverá vento sempre.

O fiel companheiro dos nómadas que passam, vai para onde não se vê.

No meio da cidade sopra o vento do deserto.

É o vento do mundo, mudo, que rasga os cantos duros e indiferentes do betão armado.


O ruído é demasiado.

Contudo ninguém fala. Ninguém clama.

Pessoas sem ouvidos andam como cegos, para o amanhã igual a hoje.

Um dia morrerei e ninguém saberá que vivi.

Um dia não ouvirei o profeta que me chama no deserto da minha cidade.

Serei pó no meio de pó.

Com o caminho ali tão perto.