O vento do deserto não interessa a ninguém.
Haverá vento sempre.
O fiel companheiro dos nómadas que passam, vai para onde não se vê.
No meio da cidade sopra o vento do deserto.
É o vento do mundo, mudo, que rasga os cantos duros e indiferentes do betão armado.
O ruído é demasiado.
Contudo ninguém fala. Ninguém clama.
Pessoas sem ouvidos andam como cegos, para o amanhã igual a hoje.
Um dia morrerei e ninguém saberá que vivi.
Um dia não ouvirei o profeta que me chama no deserto da minha cidade.
Serei pó no meio de pó.
Com o caminho ali tão perto.