Olhar para uma videira poderá
remeter-nos para a beleza da Natureza. Para a beleza que não criámos, que não
produzimos, mas que devemos ir cuidando.
Olhar para a pessoa que está ao nosso
lado remete-nos também para a beleza de todas e de cada pessoa. Na verdade,
mesmo tendo sido concebida pelo ser humano, a vida dessa pessoa não foi por nós
criada. É uma vida que vem ao nosso encontro, a qual devemos ir cuidando.
Estes cuidados com a videira e com
a pessoa, têm obrigatoriamente que se traduzir em acções. Nunca uma
videira poderá dar frutos se não houver trabalho, cuidado, humano. Acabará por
morrer, sem dar frutos. Deixará de ser beleza. Nunca uma pessoa abandonada poderá
dizer que viveu uma vida verdadeira. A quem contará a sua vida? A quem
transmitirá a sua vida, os seus frutos? Morrerá mesmo antes de morrer. Deixará
de ser beleza. Por isso, quem disser que cuida da videira ou do próximo mas
nada fizer para isso, não estará verdadeiramente a Cuidar. Diz-nos hoje São
João: “Meus filhos, não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em
verdade” (1 Jo 3, 18).
No Evangelho de hoje, Jesus, ao
comparar-se a uma videira, quer falar-nos desse Amor, do único que Cuida, que é
fruto e que faz nascer novos frutos.
Com esta parábola, Jesus diz-nos algo
ainda maior. Diz-nos que, para além de termos de ser cuidadores das videiras e de
sermos agraciados com os seus frutos, não nos podemos esquecer que também somos
ramos das próprias videiras. Assim, também cada um de nós precisa do alimento
que nos permitirá dar fruto. Na verdade, como é que a videira dá fruto? A videira
não se alimenta do seu próprio fruto, alimenta-se da seiva. O fruto da videira serve
de alimento, mas não para ela própria.
Se Jesus é a videira, e nós
somos os ramos, então, só produziremos fruto, as tais obras que geram, que são,
Amor, se estivermos ligados. Diz-nos Jesus: “Eu sou a videira, vós sois os
ramos. Se alguém permanece em Mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem
mim nada podeis fazer.” (Jo 15, 5). Só através de Jesus poderemos receber o verdadeiro
alimento.
É por isso que, neste tempo
Pascal, na VIDA, continuamos a viver com Alegria. Com a Alegria de Jesus Cristo
Ressuscitado. A Alegria de Deus que nos chega por Jesus que, por cada um de
nós, Se faz verdadeiro alimento para que possamos dar fruto.
Leituas do Domingo V da PÁSCOA
LEITURA I Actos 9, 26-31
SALMO RESPONSORIAL Salmo 21 (22), 26b-27.28.30.31-32 (R. 26a)
LEITURA II 1 Jo 3, 18-24
EVANGELHO Jo 15, 1-8




